É com muito bom humor que a série vem formando sua identidade nesta temporada. Ainda que não seja 100%, White Collar tem começado a ganhar mais forma; que é exatamente o que ela precisa para se destacar na programação, ao invés de apenas ser aquele programa agradável para se ver no tempo livre.
Todo programa, para que sobreviva à concorrência acirrada, precisa mostrar elementos que prendam a atenção do espectador e esta série não tem feito isso com muita eficácia. Acredito que o grande problema aqui, seja determinar qual elemento deve ser focado. A resposta é simples; é preciso ser mais criativo nas tiradas cômicas de Neal e elevar a qualidade das cenas de ação com Peter. Exatamente como aconteceu neste exemplar quarto episódio.
Em Flip of the Coin, tivemos Caffrey e Burke envolvidos em um caso bastante pessoal para a esposa do agente, já que o acusado e sua mulher eram amigos do casal. Todas as evidências apontavam para Mitchel - o marido -, mas foi a perfeição dessas provas e a informação dada por Neal (de que o derretimento de ouro causaria queimaduras), que permitiu que Burke levantasse questionamentos a respeito. Peter mostrou o excelente agente que é ao perceber as digitais só da mão esquerda e também outros detalhes; isso me agrada muito, já que no episódio passado eu critiquei sua fama pelo fato de ser Caffrey o único a descobrir e compreender os mistérios.
Mas o episódio não contou somente com a inteligência de Peter, senão teríamos apenas mais uma série policial. O diferencial da série é a presença de Caffrey e seus métodos pouco ortodoxos de realizar as investigações, além de seu conhecimento, por experiência própria, de como as coisas funcionam no mundo dos “colarinhos brancos”. Toda vez que ele começa a flertar com alguma garota eu já começo a rir só de ver o Burke nervoso por Neal fazer isso parecer algo tão fácil. E também me divirto sempre que Peter o lembra que é um criminoso.
E então Neal consegue se superar na cena mais cômica que vi esta semana ao fingir ser um assistente/estagiário da emissora carregando vários lattes, somente para poder entrar no prédio. Sua inclinadinha para o lado de Phil (o porteiro) e o pedido para pegar o inexistente cartão de identificação em seu bolso foram simplesmente perfeitos. A cena foi feita com uma naturalidade que me arrisco a dizer que o verdadeiro talento de Bommer é a comédia. Fiquei horas rindo sozinho. Mas voltando… Neal é excelente nos flertes, nas interpretações e acima de tudo, na obtenção de informações por meio ilegal (quem conseguiria fingir que está escrevendo em um bilhete enquanto arromba uma gaveta com um clipe?).
Como sempre, para obter informações mais detalhadas, Neal pede a ajuda de Moz, que chega com estas no “apê” do ex-criminoso e dá um fora gigante, fazendo com que o agente Burke conheça a famosa fonte secreta de informações de seu “cachorrinho”: Sr. Haversham (de onde foram tirar esse nome maravilhoso?). Agora que os três se reuniram, fica impossível não rirmos de suas atitudes. Mozzie consegue tanto espaço em tela que chego a temer as cenas que ele não comparecerá. Mas não foi preciso esta preocupação em Flip of the Coin, já que Sr. Haversham fez valer sua participação na captura de Ames, ao atropelá-lo acidentalmente (“Eu nunca estive aqui”).
Sobre os demais personagens quero deixar claro que ainda estou muito magoado pela substituição da aprendiz lésbica de Burke e pela inclusão de Jones “O Que Faço Aqui”. Lauren não faz qualquer diferença e suas aptidões para bancar a agente gostosona e durona não convence em nenhum segundo sequer. Jones por outro lado… Não. Não tem outro lado. Ele também é mais um nome sobrando na lista de pagamento do elenco da série. (Quanto recurso desperdiçado minha gente. E séries como Supernatural sofrem com o orçamento).
A única que se faz válida no elenco secundário é a esposa de Peter, Elizabeth. Apesar de não ter seu talento cômico muito explorado neste episódio, temos que agradecê-la por trazer o ótimo caso desta semana. Seus olhares para o marido são assustadores até para mim, por isso não ouso criticá-la. Quem aí não achou engraçado quando Burke perguntou a amiga da esposa se seu marido não havia bebido com outra pessoa? O cara não tem desconfiômetro algum, mas não posso criticá-lo também, senão seríamos privados dos momentos de vergonha alheia dele.
White Collar, como eu já disse, está excelente se considerarmos o nível que mostrou até o momento. Realmente não espero que nada demais aconteça para tornar a série um programa que nos faça roer as unhas pelo próximo episódio. Ela é agradável e se manter o equilíbrio mostrado neste episódio, conseguirá sobreviver neste mar cheio de tubarões nascidos nesta temporada.
Resta-me perguntar:
Alguém sentiu falta da busca por Kate? Eu agradeci por isso na verdade.
Só eu que acho as caras e bocas do Peter engraçadíssimas?
Como Neal consegue ser tão criativo em momentos como o do Phil?
Alguém acredita que Caffrey não tenha cometido tantos delitos? Não se preocupem comigo gritando aqui que eu acredito em sua inocência.
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